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Dom João III, o rei
de Portugal, andava apreensivo. As riquezas
do tesouro real, advindas da abertura do caminho
marítimo para as Índias, declinavam
ano após ano. Ao contrário do
esperado, o Oriente mostrava-se "um sumidouro
de gente, de armas e de dinheiro".
Enquanto isso,
as novas terras, do outro lado do Atlântico,
"mandadas descobrir" por seu pai em
1500, eram freqüentemente invadidas por
piratas e contrabandistas. Se não tomassem
providências enérgicas, os portugueses
corriam o risco de perder o Brasil.
Foi por isso
que, no dia 29 de março de 1549, seis
navios a vela deitaram âncoras, na entrada
da baía de Todos os Santos. Era Tomé
de Souza que chegava ao Brasil. Vinha para fundar,
por ordem do rei de Portugal, a cidade de São
Salvador.
A localização
havia sido escolhida a dedo. Primeiro, por situar-se
entre as únicas duas capitanias hereditárias
que haviam dado certo: a Nova Lusitânia
(Pernambuco) e São Vicente (São
Paulo). Depois, por ser possível contar
ali com a ajuda de Diogo Álvares, um
português que naufragara na região
em 1510, e se tornara muito influente entre
os índios, que o chamavam Caramuru.
Entre as mil
e quinhentas pessoas que vinham com o fidalgo,
haviam altos funcionários da coroa, padres,
soldados, artesãos, pedreiros, carpinteiros,
colonos, quatrocentos criminosos deportados
de Portugal - os chamados degredados - e um
rapaz de 28 anos de nome Garcia d'Ávila.
O jovem Garcia era criado de Tomé de
Souza, seu braço direito e homem de confiança.
E foi a ele que o governador entregou as chaves
do depósito de víveres e materiais
trazidos pela frota.
A cidade fortificada foi construída no
prazo recorde de oito meses e oficialmente inaugurada
em 1º de novembro de 1549. Para dinamizar
a economia local, o governador resolveu mandar
buscar gado nas ilhas de Cabo Verde, na África.
As reses chegaram no dia 6 de dezembro de 1551
e foram distribuídas entre os colonos.
Garcia d'Ávila pediu e foi atendido.
Ganhou duas vacas. Entregou então o cargo
de almoxarife e foi cuidar do gado. Não
existem registros sobre a fórmula mágica
que usou, mas é fato que, um ano depois,
já era dono de duzentas cabeças
de gado. Precisava de terras mais amplas. E
Tomé de Souza cedeu a ele, em nome do
rei, duas léguas de beira mar, entre
a foz do rio Vermelho, nos limites da cidade,
e a ponta de Itapoan.
Os índios
tupinambás, que viviam em volta, não
impediram a expansão da fazenda. Até
porque, Garcia d'Ávila tratou logo de
amancebar-se com uma índia, a quem deu
o nome cristão de Francisca Rodrigues,
e com quem teve uma filha batizada como Isabel
d'Ávila (morgadio
da casa da Torre).
Ataques piratas
eram um perigo constante. Por sugestão
do governador, Garcia d'Ávila construiu
ao norte de suas terras uma torre alta e, do
alto dela, por meio de sinais luminosos, avisava
à cidade de São Salvador a aproximação
de navios inimigos. A partir de então,
sua propriedade ganhou fama, prestígio
e passou a ser conhecida como
Casa da Torre.
Por volta dos
40 anos, Garcia d'Ávila já era
um dos homens mais ricos do Brasil. E sua amizade
com Tomé de Souza foi lhe rendendo novas
e maiores sesmarias. Não tardou muito,
e os domínios da Casa da Torre se estendiam
por todo o litoral Norte. Iam da foz do rio
Vermelho, em Salvador, até a do rio Real,
em Sergipe.
Ao morrer, em
23 de maio de 1609, era Garcia d'Avila o maior
potentado da Colônia e, como vereador
do Senado da Câmara, foi considerado uma
das mais importantes individualidades políticas
do seu tempo.
Fontes de pesquisa
Bibliotecas
Biblioteca Central da Bahia
Bliblioteca de Dias d´Ávila
Biblioteca de Mata de São João
Sites
http://www.casadatorre.org.br
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