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Desde o século XVII, já constava
dos velhos alfarrábios dos padres jesuítas,
guardados a sete chaves pelos prepostos da ordem,
que o “sitio onde se situava o arraial
do Capuame – que fazia parte do maior
latifúndio do Brasil, a Casa da Torre,
herança de Garcia D’Ávila
que veio de Portugal com a comitiva de Tomé
de Souza – era excelente pela qualidade
de suas águas, de grande valia para cura
de certas moléstias e como local de descanso
para refazer o corpo e o espírito”.
Com o passar
do tempo, as paragens do Capuame se tornaram
importante entreposto de gado, que abasteciam
os currais de Itapagipe, na capital baiana.
Nesta época era conhecida por Feira Velha
do Capuame. Durante a guerra da Independência
teve relevante papel no fornecimento de gado
para as tropas brasileiras, já que Salvador,
nas mãos de Madeira de Melo, não
permitia que os suprimentos chegassem até
o exército separatista. Também
é deste tempo a figura de Santos Titara,
nascido por estas plagas e que se destacou como
um dos heróis da independência.
Ele foi o autor do “Hino ao Dois de Julho”,
até hoje, um dos símbolos da vitória
brasileira contra o jugo português.
Em 1927, por
iniciativa do deputado Ademário Pinheiro,
e sugestão do historiador Francisco Borges
de Barros, a Feira Velha passa a chamar-se Dias
D’Ávila, em homenagem a Francisco
Dias D’Ávila II, o destemido bandeirante
que ampliou os limites do latifúndio
da Torre, embrenhando-se pelas matas até
o atual estado do Piauí, capturando índios
e anexando terras para a sesmaria dos D’Ávila.
Na década
de 40, o padre jesuíta francês,
Camilo Torrend, eminente botânico e estudioso
dos campos de Dias D’Ávila, tendo
acesso a documentos antigos da ordem, mandou
analisar a água e a lama do rio Imbassay,
em laboratórios franceses, e recebeu
um resultado surpreendente: Aquelas águas
eram comparáveis à das melhores
estâncias européias, com qualidades
terapêuticas poderosas e, mais ainda,
a lama possuía propriedades medicinais
louváveis, principalmente para as moléstias
de pele.
A notícia
correu alastrando-se com grande velocidade e
ganhando as cidades vizinhas e a capital, espalhou-se
por toda a Bahia e até mesmo por outros
estados. Dias D’Ávila tornou-se
uma cidade de veraneio famosa, com chácaras
aprazíveis, com belas e arborizadas vivendas
aonde as celebridades baianas da época,
vinham, obrigatoriamente, beber a saudável
água. Na década de 50, dava gosto
de se ver, aos domingos, a chegada do trem (que
era chamado “Pirulito”) abarrotado
de turistas para passar o dia na famosa “estância
das águas”. Foi quando surgiu a
folclórica figura do aguadeiro que levava
o líquido precioso retirado do rio, em
lombo de jegues, de porta em porta pela cidade,
apregoando e vendendo aquilo que os veranistas
vinham buscar na cidade. E no trem, todos regressavam
a seus lares carregando garrafas, galões,
botijões e outros recipientes com a água
que já ganhava o rótulo de “a
mais leve do Brasil”.
Na
década de 70, com a chegada do Pólo
Petroquímico, houve uma afluência
enorme de pessoas que vinham de todas as plagas
em busca do sonho do emprego. A partir de 1976,
Camaçari começou a ter um crescimento
acentuado e, sob a regência do capitão
engenheiro Humberto Ellery, iniciou obras de
expansão do município. Dias d’Ávila,
já vinha sendo desfigurada devido ao
crescente número de trabalhadores, que
se instalavam e transformavam suas belas chácaras
em repúblicas; era a cidade dormitório
que se aboletava desalojando os antigos moradores.
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